Cacau cultivado em sistema agroflorestal é tema de palestra

Enviado por lorena.esteves em Sex, 14/06/2024 - 18:39
Foto Divulgação
Foto: Leandro Reis - Ascom Sedap

Por Rose Barbosa

Descendente de pioneiros na produção de cacau na região da Transamazônica, no oeste do Pará, Jiovana Lunelli, produtora no município de Brasil Novo, traçou um panorama, na tarde desta sexta-feira (14), sobre a importância do cultivo do cacau em sistema agroflorestal. Expondo sua experiência própria, ela defendeu a necessidade de o agricultor adotar a produção de cacau orgânico.

A produtora participou do Fórum da Cacauicultura da Transamazônica e do Xingu, realizado em conjunto pelas Secretarias de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e de Agricultura Familiar (Seaf), no Centro de Eventos em Altamira. Jiovana Lunelli abordou o tema “Cacau Xingu: da árvore à barra de chocolate em sistema agroflorestal sustentável”.

“Quando você pega a semente, planta e transforma em cacau e chocolate, isso é uma satisfação imensa. A gente só sabe 10% do que o cacau produz. O chocolate dá uma infinidade de receitas incríveis”, disse a palestrante, acrescentando que quando o produtor abre uma pequena fábrica gera emprego e renda, e valoriza comunidades tradicionais, como ribeirinhos e indígenas.

Foto: Leandro Reis / Ascom Sedap
Foto: Leandro Reis / Ascom Sedap

O Festival do Chocolate é importante para verticalizar a produção e valorizar o trabalho dos agricultores, sobretudo os familiares, que são a ampla maioria na cadeia, frisou Jiovana Lunelli. Ela também defendeu os benefícios ofertados aos produtores com a criação do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará (Funcacau). “O Fundo é importante. É imposto do nosso cacau utilizado para ser investido no próprio produtor. Esse é um espaço importante de interação. Agradecemos ao governo pela oportunidade da gente poder destacar o trabalho dos nossos produtores”, frisou Jiovana Lunelli.
Palestrante do evento realizado em Altamira

Aproveitamento - Mais de 90% dos produtores de cacau ainda aproveitam só 8% do fruto, informou o pesquisador da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), Geraldo Sousa Costa, no Fórum realizado no evento Chocolat Xingu. Filho de produtor de cacau, o pesquisador orientou os produtores sobre o aproveitamento integral de subprodutos do fruto.

Ele lembrou que a região amazônica é o berço do cacau, e hoje o Pará é o maior produtor nacional do fruto. Segundo Geraldo Sousa Costa, é necessário que o fruto seja melhor aproveitado. “É uma cultura geradora de renda. Aqui é um evento cultural produzido pelo cacau, então a cultura do cacau é importante. O Pará reúne todas as condições favoráveis para a cultura do cacau e se enquadra perfeitamente na agricultura familiar. Mais de 90% dos produtores são agricultores familiares”, ressaltou.

O especialista destacou, entre outras orientações, que o cacau colhido deve ser aberto (quebrado) no mesmo dia para poder gerar produtos de qualidade. A casca resulta em torno de seis a sete toneladas, e pode ser aproveitada para gerar  produtos como farinha e farelo, composto orgânico, sabão, doce, nibs, papel, álcool e silagem.

Foto: Leandro Reis / Ascom Sedap
Foto: Leandro Reis / Ascom Sedap

Geraldo Sousa Costa orientou, ainda, sobre o aproveitamento do mel do cacau, que pode ser usado para fazer geleia, aguardente, vinagre, suco, xarope, sorvete, licor e molho de pimenta. “A folha do cacau está saindo a 80 centavos a branquinha e 90 a mais escura, e pode servir para artesanato, como embalagem, estamos mostrando a vocês que o cacau não tem limite”, frisou.

Arrecadação - A arrecadação da cadeia de valor do cacau também foi abordada durante o Fórum pelo engenheiro agrônomo da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), Marivaldo Palheta.

A rota turística do cacau da Transamazônica, a identificação de pragas que atingem o cacaueiro com uso de inteligência artificial e o papel da cacauicultura na conferência mundial do clima (COP 30), que ocorrerá em Belém, em 2025, foram outros temas integrantes da programação.