Produtos do Pará com Indicação Geográfica são destaques no I IFC Amazônia

Enviado por lorena.esteves em Seg, 04/12/2023 - 11:36
Foto: Mateus Costa / Ascom Sedap

Por Rose Barbosa

Os quatro produtos oriundos do Pará com Indicação Geográfica (IG), já reconhecidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), ganharam destaque especial no I IFC Amazônia, aberto ao público no domingo (3), no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém. A amêndoa de cacau de Tomé-Açu e a farinha de Bragança (ambos municípios do nordeste paraense), o queijo de Marajó e o waraná e bastão de waraná (guaraná) da Terra Indígena Andirá-Marau (entre os estados do Pará e o Amazonas) estão sendo expostos ao público até esta terça-feira (5), último dia da programação, no espaço denominado Corredor do Sabor.

Além dos que já conquistaram a IG, podem ser conferidos pelo público os potenciais produtos que estão em processo de reconhecimento da Identidade Geográfica. Entre eles, o chocolate da Ilha do Combu, o mel do nordeste paraense e o açaí do Pará.

O que não faltou no saboroso corredor foi gente interessada em degustar ou comprar os produtos. Morador do município de Juruti, no Oeste do Pará, Rildo Yoshi Brelaz, que estava acompanhado da filha Aime Yoshi Brelaz, comprou a tradicional farinha de Bragança, e disse ser “apaixonado” pelo produto. Para ele, é importante a distinção concedida à farinha, que conheceu ao ser incentivado pela filha. “Ela me falou dessa farinha em dezembro do ano passado. Eu provei e gostei. Agora, participando da programação aqui em Belém, vi que tinha para vender e logo disse a ela: bora comprar”, contou Rildo Brelaz.

A farinha adquirida pelo morador de Juruti (a mais de 800 quilômetros de Belém) é produzida na propriedade “Sabor de Bragança”. O casal de produtores se mostrou satisfeito com a opinião do cliente.

O produtor e comerciante José Davi Júnior acrescentou que, além da farinha de Bragança – incluindo a de massa lavada – oferece no evento a farinha de tapioca e a específica para o preparo de farofa. “A farinha de Bragança, por si só, já se vende. Agora, trabalhando com a segurança alimentar, com uma boa embalagem e as certificações, a aceitação ficou muito maior”, ressaltou.

José Davi Júnior também elogiou a iniciativa do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), que apoia o evento realizado pelo IFC Brasil (International Fish Congress & Fish Expo Brasil), por ter convidado os produtores de alimentos com IG para o evento. Segundo o produtor, “não tem como falar de peixe se não tiver a farinha. Para nós, foi muito importante participar de um evento dessa magnitude”.

Foto: Mateus Costa / Ascom Sedap

Cacau especial - Outro produtor que expõe e comercializa produto com IG é Ernesto Katsunori Suzuki, de Tomé-Açu. Ele oferece amêndoas com IG, e outra comum, e garante que a procura tem sido intensa.

“Graças ao apoio do governo do Estado, do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e de outros parceiros, nós conseguimos a IG - processo esse que iniciamos em 2014, mas só a obtivemos cinco anos depois. Hoje, a convite da Sedap, mais especificamente da engenheira agrônoma Márcia Tagore, que coordena o Fórum IG, estamos representando a Camta (Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu) e trazendo o nosso cacau de qualidade com o selo da IG. Essa amêndoa é exportada para outro país”, informou Ernesto Suzuki.

Ele disse ainda que, além de buscarem os produtos, alguns visitantes levantam informações sobre a diferença da qualidade com ou sem a IG. “A gente tem amostras de amêndoa comum ou corrente, como a gente chama, e a especial, a que tem a IG”, complementou.

Representatividade - No segundo dia de IFC, o secretário de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Giovanni Queiroz, visitou o Corredor do Sabor e cumprimentou produtores de vários municípios. Para o secretário, o evento é uma forma de mostrar ao Brasil, e ao mundo, os alimentos oriundos de produção certificada. “Identificação Geográfica representa um produto regionalizado com características específicas, que tem o gosto e a tradição do nosso povo”, enfatizou Giovanni Queiroz.