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02/12/2019 - 09:00

O Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e de Pesca (Sedap), teve uma importante participação na concretização da nova variedade de açaí lançada nesta sexta-feira (29) pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental). Graças ao repasse de R$ 519 mil oriundos de convênio, foi possível ao órgão federal avançar com os trabalhos que resultaram no novo tipo de açaí denominado de BRS Pai  d’Égua, que diferente do fruto tradicional é irrigado em terra firme.

 

 O secretário adjunto da Sedap, Lucas Vieira, que juntamente com o responsável pelo setor de fruticultura da Sedap, Geraldo Tavares, representou a secretaria n programação, disse que o lançamento de uma nova cultivar (variedade de planta cultivada) é importante para o Estado, pois o Pará é um grande incentivador da cadeia produtiva do açaí. “Esse valor repassado pela Sedap foi importante, pois serviu para que a pesquisa fosse cada vez mais aprofundada e chegasse nessa cultivar de excelência. Em contrapartida, a Embrapa fornecia para a Sedap sementes de açaí”, observou. O secretário explicou que no total, foram repassadas 36 toneladas de sementes de açaí que viraram 20 milhões de mudas. “Elas serviram para fomentar a agricultura familiar e o pequeno agricultor, que realmente é quem precisa da ajuda do Estado”. O secretário informou  que a nova cultivar vai permitir a produção do açaí mesmo na entressafra.

 

 Qualidade- A Sedap realiza diversas ações que visam garantir não só a produção em larga escala do açaí quanto melhorar cada vez mais a qualidade do produto. Uma dessas ações, como observou o engenheiro agrônomo Geraldo Tavares, é voltado para a qualidade do processamento do açaí. “Ou seja, para o produtor artesanal, que é a grande maioria dos que trabalham com o fruto. Somente na Região Metropolitana de Belém são 7 mil”.  Tavares explicou que a Secretaria Estadual de Saúde (Sespa) e as prefeituras são parceiros nesse trabalho junto aos batedores de açaí. A Sespa, segundo informou, promove anualmente treinamentos de capacitação de produtores. Ele lembrou que em Belém funciona a Casa do Açaí, que é mantida através de parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura. “Dia de terça e quinta-feiras há treinamentos gratuitos para os batedores de açaí da Região Metropolitana de Belém. Essa capacitação é muito importante”, ressaltou.

 

Outro programa citado pelo engenheiro agrônomo é o Pró-Açaí, que é voltado para a expansão do plantio. Envolve a capacitação em conjunto com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater). “A partir de janeiro vamos ter capacitação e manejo de várzea em 24 municípios do Marajó e do Baixo Tocantins, que são  as principais regiões produtoras do Estado, além da distribuição de sementes gratuitamente”.

 

Parceria- Ele explica que a primeira parceria entre o Governo do Estado e a Embrapa para o desenvolvimento de pesquisa de qualificação da produção de açaí data dos anos 90, através da então Secretaria Estadual de Agricultura (Sagri). De acordo com Tavares, o convênio anterior teve como objetivo   apoiar o desenvolvimento das  pesquisas  e   a manutenção do campo de produção de sementes  da Embrapa em Tomé Açu. “Em 2005  a Embrapa lançava a primeira cultivar de Açaí para Terra Firme  denominada  BRS Pará”, lembrou.

 

O diretor-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri, ressaltou a importância da parceria que o órgão de pesquisa federal mantém com o Governo do Estado, em especial com a Sedap. Ele observou que o aporte repassado foi fundamental para a execução da pesquisa. Lembrou, ainda, do trabalho realizado pela secretaria através da distribuição das sementes e que além da parceria voltada para o açaí a Embrapa mantém um convênio na área de pesquisa e material genético do cupuaçu.

 

 Ele explicou que no mínimo a Embrapa tem 20 anos trabalhando na pesquisa do açaí. “Esse açaí vem complementar o mesmo material que lançamos na terra firme que foi o BRS Pará. Agora o BRS Pai d’Égua vem  ser mais um material e nós estamos deixando de ser apenas extrativista na região amazônica , que é uma tradição da nossa população ribeirinha principalmente, e estamos sendo produtores do açaí. É uma semente que vem para maior produtividade. É mais uma opção para o nosso produtor ter o açaí da Amazônia com alta tecnologia”.

 

Texto: Rose Barbosa