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03/04/2018 - 14:30

 

Um programa de inovação tecnológica promete intensificar a pecuária paraense e transformar o Estado no primeiro produtor e exportador de genética superior de bubalinos do Brasil. O Programa de Melhoramento Genético de Búfalos com Inovação para o Estado do Pará (Promebull) é resultado de convênio entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O convênio foi firmado nesta terça-feira, 03, na Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), com a presença do secretário Giovanni Queiroz, do chefe geral da Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri, e produtores.

 

O Promebull vai utilizar sêmen importado da Índia e da Itália, países que já possuem a base genética de búfalos domésticos, para introduzir genética superior no rebanho paraense e elevar a qualidade dos animais. A Sedap vai financiar a importação de sêmen e a inseminação de búfalas para pequenos produtores e, desta forma, facilitar a importação pelos grandes criadores.

 

O Promebull foi iniciado na ilha do Marajó, há três anos, com utilização de sêmen nacional e agora será levado para o restante do Estado, começando pelas regiões do Baixo Amazonas, Nordeste e Sudeste. “Optamos por fazer genética e não importar, mas para isso é preciso atitude e dinamismo por parte dos criadores para fazer o Pará produzir com eficiência e modernização, aproveitando o imenso potencial pecuário do Estado”, alertou o pesquisador da Embrapa, Ribamar Marques, responsável pelo programa.

 

A elevação da qualidade do rebanho bubalino paraense, o maior do país com mais de 600 mil cabeças (60% do rebanho brasileiro), vai viabilizar futuramente um Teste Progênie (TP) para a formação de sumários ou catálogos de reprodutores e matrizes geneticamente superiores produzidos no Estado. Será a consolidação do Pará como produtor e exportador de genética, fortalecendo a cadeia produtiva do búfalo, com agregação de valor à carne e ao leite.

 

O programa será voltado especialmente à pecuária bubalina familiar leiteira e inclui a capacitação com base na Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF), para viabilizar as práticas e processos inovadores de manejo animal. O presidente da Cooperativa de produtores de Leite do Marajó, Emanuel Lopes, foi um dos que adotaram a técnica de reprodução artificial na ilha. Vendeu os dois touros que tinha e hoje das nove vacas inseminadas, cinco já estão prenhas. “Espero aumentar a produção diária de 30 litros para 100 litros de leite nos próximos três anos”.

 

O secretário Adjunto da Sedap, Afif Jawabri, destacou o apoio da iniciativa privada no trabalho de melhoramento do rebanho e com isso “agregar valor com a produção familiar de queijos”. Adriano Venturieri disse que “essa ação diminui o abismo que separa o Marajó do restante do Estado e representa um novo momento para a bubalinocultura paraense”. Para Carlos Xavier, da Faepa, “aprofundar a pesquisa é fundamental para o sucesso do programa e para aproveitar as oportunidades do mercado”.

 

O Promebull está inserido nas diretrizes do programa estadual Pará 2030, como a inclusão social, sustentabilidade, e integração em todo o Estado. “O setor pecuário rende ao país uma receita de 5 bilhões de reais, 40% são da pecuária diferenciada do Pará. Podemos aumentar essa participação, basta conduzir a tecnologia para o lugar certo”, concluiu o pesquisador Ribamar Marques.

 

Leni Sampaio - Sedap