Sobre acessibilidade

Serviços

Início >> Artigos
03/10/2021 - 19:45

 

                                              

                                        Mestre Lázaro mostra o banner com um resumo da sua história de vida

 

Texto: Rose Barbosa / Ascom Sedap

Fotos: Mateus Costa / Ascom Sedap

 

Durante 50 anos, o aposentado Lázaro Amorim Fernandes viveu de uma das profissões mais importantes não só para a economia do país como para o sustento de milhares de famílias: pescador. Mesmo não fazendo mais da pesca seu único meio de “ganha pão”, ele diz que para sempre estará ligado ao ofício, não só por ter começado a pescar desde os 12 anos de idade, como também por morar na Vila dos Pescadores, localizada em Ajurutuea, que é separada 36 quilômetros do centro de Bragança pela PA- 458, mais precisamente. 

 

Somente em Bragança, segundo informou o secretário municipal de Pesca e Aquicultura do município, Danilo Cézar Gardunio, mais de 4 mil pescadores dependem do ofício. Ele explica que o território bragantino é extenso e formado em boa parte por vilas pesqueiras. Além da Vila do Pescador, existem ainda a de Bacuriteua, do Bonifácio, a Vila do Treme, Caratateua, entre outras. Todas contam com a pesca entre as suas principais atividades.  O secretário ressalta que a Prefeitura de Bragança, junto com o Governo do Estado, vem trabalhando bastante para dar apoio ao desenvolvimento tanto do setor pesqueiro quanto aquícola do município.

 

Ações - O órgão municipal trabalha em cima da agenda 2030, atendendo como referência os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) e também vem se pautando pelo ordenamento pesqueiro e na habilitação e qualificação dos pescadores e no desenvolvimento e ampliação do setor aquícola do município.

 

          A Vila dos Pescadores é um importante local de preservação ambiental

 

 

A Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) desenvolve ações para orientar a categoria com relação às práticas de pesca sustentável. Um desses trabalhos é com relação ao manejo do caranguejo estimulando o uso de basquetas para o armazenamento e transporte do caranguejo-uçá no estado, através de treinamento  realizados junto às  comunidades e com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e demais entidades envolvidas no processo.

 

Outro passo importante para o aprimoramento da pesca sustentável no estado foi dado com a assinatura de um Termo de Cooperação entre a Sedap e o Ministério Público, na quarta-feira (29). A finalidade do acordo foi o fortalecimento de ações para a pesca sustentável, o que implica a redução da pesca predatória. 

 

O secretário Lucas Vieira ressaltou a importância de uma parceria visando o incentivo para a pesca sustentável no Pará. “É fundamental a assinatura deste Termo com o Ministério Público, pois vem ao encontro das ações que são postas em práticas pela Sedap e irá proporcionar o fortalecimento dessas ações para o aprimoramento da pesca sustentável”, frisou Vieira. 

 

Decreto - No dia 29 de junho deste ano, data dedicada ao Padroeiro dos Pescadores, o governador Helder Barbalho sancionou a lei que estabelece os critérios para a formalização dos acordo de pesca em comunidades pesqueiras no âmbito do Estado do Pará. 

 

O decreto, segundo informou o coordenador de aquicultura da Sedap, engenheiro de pesca, Alan Pragana, é um anseio de longa data da categoria e sabendo disso, o governador sancionou a legislação.  “Agora, oficialmente, temos as normas para os acordos em todo o território paraense”, observou o especialista.

 

Os principais objetivos do decreto são estimular, fortalecer a interação dos usuários dos recursos pesqueiros da área, desenvolver a pesca sustentável como fonte de alimentação, emprego, renda e lazer da comunidade, incentivar a pesca esportiva no estado, instituir regras objetivas e de fácil realização, preservar, conservar e recuperar.

 

 

                                                            

 

                       Mestre Lázaro orienta a comunidade e os visitantes de Ajuruteua sobre a importância de preservar a praia limpa

 

 

   Da Pesca ao carimbó

 O pescador aposentado Lázaro Fernandes, que também é carpinteiro (além de tecer redes e construir currais de pesca, ainda se dedica a construção de casas no vilarejo), é um dos conselheiros da comunidade que integram a chamada Reserva Extrativista Marinha (Resex) de Caeté-Taperaçu. Defensor de práticas sustentáveis que ele procura também repassar aos demais pescadores da vila onde habita bem como aos visitantes, Lázaro – ou melhor, Mestre Lázaro – como ele é mais conhecido no vilarejo – diz que se sente satisfeito, pois mesmo não vivendo mais diretamente da pesca, continua a trabalhar para preservação do local onde nasceu, pois muitos pescadores dependem do ofício.  

 

 Defende a importância de seguir as orientações e respeitar o período de defeso de cada espécie, conforme as regras estabelecidas pelos órgãos estaduais (como a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade – Semas) e federais como o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama).

 

Aos 63 anos de idade, Lázaro, além de atuar na Resex, deixou que outras habilidades fossem descobertas pelos moradores de Bragança após a sua aposentadoria: poeta, compositor e cantor. As suas músicas falam de temas diversos, em especial, do lugar onde nasceu.“ Meu avô foi fundador da Vila dos Pescadores. Aqui nasceu Ajuruteua. Aqui quero viver até o final da minha vida”, declara o pescador apaixonado pelo lugar onde mora, lembrando que seus antepassados chegaram do estado do Ceará, fugindo da seca.

 

O mestre fala do que é ser um pescador nos tempos de hoje. Diz que existe uma diferença muito grande, pois além da demanda intensa, o aparato tecnológico evoluiu bastante. “Antes só havia a bússola que era o guia da navegação; agora tem a sonda que é um aparelho que mostra onde tem o cardume”, compara.  

 

Ele informa que na Vila dos Pescadores a principal espécie de peixe comercializada é a gó. “Nós temos aqui em torno de 86 famílias e pelo menos 400 pescadores”, informa. 

 

 Desde 2018 que o pescador passou a se apresentar ao público junto com o grupo Mani de Urutá. No repertório, onde o ritmo do carimbó é o carro-chefe, o grupo aproveita para dar o recado sobre temas diversos: necessidade de preservação ambiental, o amor por Ajuruteua e sobre a prevenção contra o coronavírus.

 

  Em abril do ano passado, o mestre foi um dos selecionados para o Festival Te Aquieta em Casa, da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). Ele diz que ao compor, transforma suas poesias em música desde os seus 14 anos. Gosta sempre de frisar uma frase que aprendeu com o pai. “Das coisas boas da vida meu pai me ensinou como é, aprende de tudo meu filho para viver do que quiser...”.