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27/02/2020 - 10:30

 Em apenas duas semanas a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) já distribuiu 80 mil alevinos de tambaqui para produtores dos municípios da região de integração do Guamá. Até a próxima semana está prevista a distribuição de  mais 40 milheiros de peixes, totalizando 120 mil alevinos.  

 

  A distribuição só está sendo possível graças à reativação da Unidade Agropecuária (Uagro) mantida pelo Governo do Estado no município de Terra Alta, no nordeste paraense. No espaço funciona a Estação de Reprodução e Alevinagem Orion Nina Ribeiro. Na terça-feira (19), cerca de 50 piscicultores foram beneficiados com a entrega dos alevinos, frutos das reproduções reiniciadas ano passado. Entre eles está a produtora Jaíla Neves, da comunidade Nova Esperança, de Castanhal, que integra a associação de produtores do município. Criadora de espécies como tambaquis e pirarucu, ela disse que a doação dos alevinos pela Sedap é motivo de comemoração. “Nós já estávamos algum tempo sem receber nenhum tipo de doação e agora a Uagro está sendo reestruturada. O nosso anseio é que aqui continue auxiliando os produtores com essa doação e também com a assistência técnica da Emater que tem nos auxiliado muito bem em tudo que a gente precisa na criação de peixes. Temos recebido muito apoio, também, da Sedap  através da sua regional de Castanhal”, ressaltou.

 

A produtora observou que no final das contas quem ganha com essas iniciativas é o consumido, pois tendo para oferecer em maior quantidade, o preço do produto tende a ficar mais em conta. “Com todos os nossos produtores recebendo os alevinos, com certeza na semana santa haverá bastante oferta. Quanto mais barato, mas a gente consegue vender a nossa produção toda”.

 

 Outro produtor beneficiado, Inácio Seixas, do município de Vigia, se mostrou confiante no ramo da piscicultura. Recebeu 500 alevinos de tambaqui. Há um ano que ele passou a fazer parte da atividade de criação de peixes. Informou que durante 45 anos trabalhou com a agricultura familiar. “Estou me sentindo muito contente, pois estamos recebendo esse apoio da Sedap. É um desafio novo e se der tudo certo, temos planos de ampliar nosso ramo. O que é importante, também, é o incentivo para a produção de dentro do estado, sem precisar que o peixe venha de fora. O povo vai comprar mais barato”, ressaltou.

 

Parceria- Além da reativação da Uagro, a doação dos alevinos foi possível em função da parceria mantida com piscicultores da região. De acordo com o gerente da estação, Márcio Macedo, produtores da região de integração do Guamá, mais precisamente dos municípios de Castanhal e de São Francisco do Pará, cederam as matrizes que foram frutos do trabalho de reprodução. Por enquanto, como ressaltou, a espécie doada foi tambaqui. Mas, a estação já recebeu o retorno de piscicultores de outros municípios interessados em doar matrizes de piau-açu e curimatã. “Nós vamos nos organizar para ir nessas propriedades buscar essas matrizes. Nessas parcerias, em troca repassamos os alevinos”.  O administrador citou, também, a colaboração dos funcionários da Uagro no processo de reativação do espaço. “Além do apoio da própria Sedap, através da administração bem como da regional de Castanhal, também tivemos o empenho dos nossos servidores. Temos três que trabalham na piscicultura e mais seis nos viveiros de mudas”, ressalta.

 

Compromisso-  O coordenador de Aquicultura da Sedap, Alan Pragana, ressaltou que a revitalização da Uagro atende um dos compromissos do governador Helder Barbalho que foi o de fomentar a aquicultura no Pará. “As duas estações que existem no estado são a de Terra Alta e de Santarém (Santa Rosa). Essa aqui estava completamente abandonada. Sem água, sem energia, depredada, com mato alto e sem peixes nos viveiros. É um trabalho de formiguinha. Ano passado fizemos todo um trabalho de reestruturação física e no final do ano, começamos o processo reprodutivo. As próximas etapas, além de continuarmos a parte de revitalização física é transformarmos essa estação em um centro de especialização para espécie nativa da Amazônia”, anunciou.  Ele observou que será o primeiro do estado.

 

 O coordenador ressaltou que além de atender aos produtores, a Uagro tem uma demanda significativa das instituições de ensino e pesquisa, como a Universidade Rural da Amazônia(Ufra), o Instituto Federal do Pará (IFPa), a Universidade Federal do Pará (UFPa), entre outras. “São os estudantes que serão o material humano que vai capacitar esses produtores no futuro, então é importante que eles tenham essa aula prática aqui”.

 

 Aprendizado- O estudante de engenharia de pesca do campus da UFPa de Bragança, Jhon Carlos Costa, que durante esta semana está fazendo estágio na estação de Terra Alta, disse que a revitalização do espaço é fundamental para os estudantes. “Aqui concluímos um elo muito importante do nosso curso que é a parte de piscicultura e de reprodução. A gente consegue fazer também a alevinagem, o manejo dos viveiros e a preparação de matrizes. O que vemos  na teoria, conseguimos complementar na prática”.

 

 Além de cinco alunos do curso de Engenharia de Pesca da UFPa, a Uagro recebeu esta semana uma turma de alunos do IFPa do município de Vigia.

 

Mudas-  O gerente da estação de Terra Alta informou que além de fomentar a reprodução de peixe em cativeiro, a estação trabalha com a produção de mudas. Ano passado, revelou, foram distribuídas 10 mil mudas de cupuaçu e 40 mil de açaí. “Este ano já começamos a renovar o estoque de mudas. Iniciamos pelo açaí”.

 

Texto: Rose Barbosa/Ascom Sedap

Fotos: Mateus Costa/Ascom Sedap